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Corcovado, Cristo Redentor, história e fatos Pão de Açucar, bondinho e sua história Baía de Guanabara Estádio do Maracanã Marco da Cidade e Viagem Histórica

Vista panorâmica da Baía de Guanabara | 1834

Baia de Guanabara - Era Uma Vez no  Século 19

A Baía de Guanabara e suas paisagens circundantes, paisagens naturais feita de lindas e límpidas águas, cercadas por montanhas e encostas verdas, assim como a arquitetura da emergente Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro encantava pintores viajantes, que da Europa vieram para contar o que viam nestas terras, onde nossa civilização florescia e despertava curiosidade dos habitantes de além mar, no velho continente. Livros e pinturas circularam pela Europa narrando o que aqui viram.

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A Baía de Guanabara e os Pintores Viajantes

No século 19 o mar tinha crucial importância nos transportes, e o portal de entrada para a Cidade do Rio de Janeiro era a "barra" da Baía de Guanabara, ou seja, uma estreita faixa de mar tendo a Fortaleza de Santa Cruz do lado que hoje é chamado de Niteroi, e tendo o Pão de Açucar do outro lado.

Era por esta passagem que todos os viajantes e os que chegavam passavam. À partir do século 18, a cidade do Rio de Janeiro já se estendia por vários locais um pouco mais afastados do primitivo centro urbano, centro este que era o Largo do Paço ou Praça 15 como é atualmente chamada.

A partir da vinda de D.João VI e da Corte Portuguesa, em 1808, muitos pintores viajantes vieram ao Brasil, e naquele cenário encontraram inúmeros e belos motivos para representarem em suas telas e álbuns que publicavam quando voltavam à Europa.

Uma exuberante e bela natureza, onde figuravam belíssimas montanhas e ilhas, enseadas e praias virgens com águas cristalinas, encantavam a todos.

Mas além da natureza, chamava a atenção algumas edificações e construções de vulto e significância para a época, como a Fortaleza de Santa Cruz logo na entrada da "barra", o Forte São João ao pé do Morro Cara de Cão que fica colado no Pão de Açucar, o Forte de Villeganon, e alguns pontos que eram fortificados como extinto e demolido Morro do Castelo, a fortificação da Ponta do Calabouço (onde fica o Museu Histórico Nacional), a Fortificação da Ilha das Cobras, e do lado do que é hoje Niteroi os Fortes do Pico e de Gragoatá.

Na próspera metrópole do Rio de Janeiro, conventos e igrejas se destacavam na paisagem e eram pontos de referência e destaque, alguns deles erguidos em morros como a Igreja da Glória, Mosteiro de São Bento, Convento de Santa Teresa e antigas Igrejas e Conventos do Morro do Castelo.

No Largo do Carmo que posteriormente passou a se chamar Largo do Paço, ficava o agitado centro da cidade, que nos tempos mais recentes passou a se chamar Praça XV. Neste local ficava o conjunto formado pelo palácio dos Vice-Reis (atual Paço Imperial), Convento dos Carmelitas, a Antiga Sé e ao lado da mesma a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, o Arco do Teles, e bem à frente de quem chegava pelo mar, à beira de um pequeno cais, o chafariz da "Pirâmide", obra prima de Mestre Valentim, que era um dos marcos da cidade e aparece em muitas pinturas e aquarelas da época.

Nesta época existiam vários chafarizes na cidade, e o chafariz provia água para a população das imediações como também abastecia navios que vinham renovar seu suprimento de água potável.

Todos estes marcos arquitetônicos assim como cenários naturais descritos acima, foram temas de destaque dos artistas que representaram o Brasil e o Rio de Janeiro naquela época.

As ilhas de Paquetá e do Governador, na primeira metade do século 19 não tinham muito destaque dos pintores viajantes, e só receberam atenção posteriormente.

Rugendas, pintor alemão, imortalizou muitas cenas daquela época, representando a Baía de Guanabara e indo inclusive na parte norte da baía, em localidades mais distante que serviam de portos fluviais, onde eram vistos tropeiros e viajantes que lidavam com o comércio com as Minas Gerais.

Rugendas assim como Debret produziram um rico testumunho da vida social, cultural e econômica brasileira àquela época, assim como da arquitetura e de seus cenários naturais. Entretanto inúmeros outros pintures por aqui passaram, e deixaram escritos e albuns que são o testemunho escrito e iconográfico de uma época quando ainda não existia a fotografia.

O Pão de Açúcar era o marco de entrada barra, e também seu guardião devido à Fortaleza de São João que ficava no sopé do mesmo, e se tornou uma figura presente em quase todas as representações de panoramas e vistas da baía de Guanabara. O Pão de Açucar era também uma referência para a localização dos vários pontos e partes da próspera Cidade do Rio de Janeiro.

Entretanto, naqela época, o Pão de Açucar era apenas uma grande formação rochosa à ser contemplado na paisagem da cidade. O caminho áereo ou "bondinho" só foi construído e passou a fazer parte da paisagem e cartões postais do Rio na década de 1910.

Muitas praias que aparecem nas antigas e belas pinturas, representam locais muito diferente do que são hoje. Em algumas pinturas são vistas as praia de Santa Luzia (ficava em frente à Igreja de Santa Luzia), a Praia da Ajuda (ficava em frente à atual Praça da Cinelândia, a Praia do Russel (aterrada pelo Aterro do Flamengo e construída outra outra mais à frente) a Praia de Botafogo em sua forma original que posteriormente foi também aterrada e deslocada mar adentro. As faixas de areia e pequena praia que um dia existiram perto do outerio ou morro da Igreja da Glória foi aterrada se tornando parte do Aterro do Flamengo e tendo a Marina da Glória construída na parte que o aterro avança rumo ao mar.

Estas praias faziam parte de antigos panorâmas (pinturas horizontalmente longas) feitas de dentro da Baía de Guanabara, quando então os pintores desenhavam tudo que viam à sua volta. Muitas destas representação em forma de "panorâmas" incluiam além da costa da cidade do Rio de Janeiro, o lado oriental (atual lado de Niteroi), dando destaque para as praias de Icaraí, a restinga da Ilha de Boa Viagem, o Saco de São Francisco e Jurujuba.


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