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Baia de Guanabara - Era Uma Vez no Século
19
A Baía de Guanabara e suas paisagens circundantes,
paisagens naturais feita de lindas e límpidas águas,
cercadas por montanhas e encostas verdas, assim como
a arquitetura da emergente Cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro encantava pintores viajantes, que
da Europa vieram para contar o que viam nestas terras,
onde nossa civilização florescia e despertava curiosidade
dos habitantes de além mar, no velho continente. Livros
e pinturas circularam pela Europa narrando o que aqui
viram.
A Baía de Guanabara e os Pintores Viajantes
No século 19 o mar tinha crucial importância nos
transportes, e o portal de entrada para a Cidade do
Rio de Janeiro era a "barra" da Baía de
Guanabara, ou seja, uma estreita faixa de mar tendo
a Fortaleza de Santa Cruz do lado que hoje é chamado
de Niteroi, e tendo o Pão de Açucar do outro lado.
Era por esta passagem que todos os viajantes e os
que chegavam passavam. À partir do século 18, a cidade
do Rio de Janeiro já se estendia por vários locais
um pouco mais afastados do primitivo centro urbano,
centro este que era o
Largo do Paço ou Praça 15 como é atualmente chamada.
A partir da vinda de D.João VI e da Corte Portuguesa,
em 1808, muitos pintores viajantes vieram ao Brasil,
e naquele cenário encontraram inúmeros e belos motivos
para representarem em suas telas e álbuns que publicavam
quando voltavam à Europa.
Uma exuberante e bela natureza, onde figuravam belíssimas
montanhas e ilhas, enseadas e praias virgens com águas
cristalinas, encantavam a todos.
Mas além da natureza, chamava a atenção algumas edificações
e construções de vulto e significância para a época,
como a Fortaleza de Santa Cruz logo na entrada da
"barra", o Forte São João ao pé do Morro
Cara de Cão que fica colado no Pão de Açucar, o Forte
de Villeganon, e alguns pontos que eram fortificados
como extinto e demolido Morro do Castelo, a fortificação
da Ponta do Calabouço (onde fica o Museu Histórico
Nacional), a Fortificação da Ilha das Cobras, e do
lado do que é hoje Niteroi os Fortes do Pico e de
Gragoatá.
Na próspera metrópole do Rio de Janeiro, conventos
e igrejas se destacavam na paisagem e eram pontos
de referência e destaque, alguns deles erguidos em
morros como a Igreja da Glória, Mosteiro de São Bento,
Convento de
Santa Teresa e antigas Igrejas e Conventos do
Morro do Castelo.
No Largo do Carmo que posteriormente passou a se
chamar Largo do Paço, ficava o agitado centro da cidade,
que nos tempos mais recentes passou a se chamar Praça
XV. Neste local ficava o conjunto formado pelo palácio
dos Vice-Reis (atual Paço Imperial), Convento dos
Carmelitas, a Antiga Sé e ao lado da mesma a Igreja
da Ordem Terceira do Carmo, o Arco do Teles, e bem
à frente de quem chegava pelo mar, à beira de um pequeno
cais, o chafariz da "Pirâmide", obra prima
de Mestre Valentim, que era um dos marcos da cidade
e aparece em muitas pinturas e aquarelas da época.
Nesta época existiam vários chafarizes na cidade,
e o chafariz provia água para a população das imediações
como também abastecia navios que vinham renovar seu
suprimento de água potável.
Todos estes marcos arquitetônicos assim como cenários
naturais descritos acima, foram temas de destaque
dos artistas que representaram o Brasil e o Rio de
Janeiro naquela época.
As ilhas de Paquetá
e do Governador, na primeira metade do século 19 não
tinham muito destaque dos pintores viajantes, e só
receberam atenção posteriormente.
Rugendas, pintor alemão, imortalizou muitas cenas
daquela época, representando a Baía de Guanabara e
indo inclusive na parte norte da baía, em localidades
mais distante que serviam de portos fluviais, onde
eram vistos tropeiros e viajantes que lidavam com
o comércio com as Minas Gerais.
Rugendas assim como Debret produziram um rico testumunho
da vida social, cultural e econômica brasileira àquela
época, assim como da arquitetura e de seus cenários
naturais. Entretanto inúmeros outros pintures por
aqui passaram, e deixaram escritos e albuns que são
o testemunho escrito e iconográfico de uma época quando
ainda não existia a fotografia.
O Pão de Açúcar era o marco de entrada barra, e também
seu guardião devido à Fortaleza de São João que ficava
no sopé do mesmo, e se tornou uma figura presente
em quase todas as representações de panoramas e vistas
da baía de Guanabara. O Pão de Açucar era também uma
referência para a localização dos vários pontos e
partes da próspera Cidade do Rio de Janeiro.
Entretanto, naqela época, o Pão de Açucar era apenas
uma grande formação rochosa à ser contemplado na paisagem
da cidade. O caminho áereo ou "bondinho"
só foi construído e passou a fazer parte da paisagem
e cartões postais do Rio na década de 1910.
Muitas praias que aparecem nas antigas e belas pinturas,
representam locais muito diferente do que são hoje.
Em algumas pinturas são vistas as praia de Santa Luzia
(ficava em frente à Igreja de Santa Luzia), a Praia
da Ajuda (ficava em frente à atual Praça da Cinelândia,
a Praia do Russel (aterrada pelo
Aterro do Flamengo e construída outra outra mais
à frente) a Praia de Botafogo em sua forma original
que posteriormente foi também aterrada e deslocada
mar adentro. As faixas de areia e pequena praia que
um dia existiram perto do outerio ou morro da Igreja
da Glória foi aterrada se tornando parte do Aterro
do Flamengo e tendo a Marina
da Glória construída na parte que o aterro avança
rumo ao mar.
Estas praias faziam parte de antigos panorâmas (pinturas
horizontalmente longas) feitas de dentro da Baía de
Guanabara, quando então os pintores desenhavam tudo
que viam à sua volta. Muitas destas representação
em forma de "panorâmas" incluiam além da
costa da cidade do Rio de Janeiro, o lado oriental
(atual lado de Niteroi), dando destaque para as praias
de Icaraí, a restinga da Ilha de Boa Viagem, o Saco
de São Francisco e Jurujuba.
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