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Igreja do Outeiro da Glória

Pátio da Igreja da Glória do Outeiro e vista da mesma em 1790

Sobre a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, construída na primeira metade do século 18, aquela que foi a preferida da família Real, e ao longo dos séculos, do alto do morro da Glória, contempla e ilumina soberana a paisagem do Rio de Janeiro.

Marco na Paisagem do Rio de Janeiro

A Igreja do Outeiro da Glória, com seu interessante formato com dois retangulos octognonais, foi a preferida da família Real, e desde os tempos coloniais, ao longo de alguns séculos, do alto do morro da Glória, contempla e ilumina soberana a paisagem do Rio de Janeiro.

Foi a primeira igreja em estilo barroco do Rio de Janeiro, e foi construída entre 1714 e terminada em 1739. Assim já no século XVIII, em tempos coloniais a Igreja da Glória era um ponto marcante e pitoresco da cidade, tanto visto de terra como do mar, sendo uma das construções que estão presentes em muitas gravuras sobre o Rio. Veja a Igreja da Glória na paisagem do Rio e da Baía de Guanabara na primeira metade do século 19. No topo desta página, também aparece uma pintura de Leandro Joaquim, cujo tema é a Igreja, o outeiro e o mar datado de 1790.

Capela Imperial

D. João VI, após chegar ao Brasil em 1808, decidiu que a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo (Antiga Sé), que fica na Praça 15 (antigo Largo do Paço), seria a nova Capela Real e Catedral da Cidade. Era uma conveniência por ficar ao lado do Convento do Carmo e Largo do Paço. A Antiga Sé se manteve Catedral até 1976, quando foi construída a nova Catedral Metropolitana.

Entretanto, com o decorrer do tempo, a Familia Real passou preferir a Igreja da Glória, onde foi batizada no ano de 1819 a primogênita de D.Pedro I e D.Leopoldina, a princesa Maria da Glória, que viria a ser a futura Rainha de Portugal, D.Maria II.

A partir de então, todos os demais membros da Familia Imperial passaram a ser batizados na Igreja da Glória, inclusive D.Pedro II e sua filha a Princesa Isabel.

Imperial Irmandade

No ano de 1839, D.Pedro II concedeu o título de "Imperial" à Irmandade. Esta é a origem do nome "Imperial Irmandade da Nossa Senhora da Glória do Outeiro".

A igreja é tombada (ou protegida) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), não podendo mais ser alterada ou demolida, podendo apenas ser restaurada e conservada, mantendo sempre sua aparência interior e exterior.

Planta Octogonal

A Igreja do Outeiro da Glória, é vista do exterior na foto abaixo, do lado esquerdo. A igreja em planta possui dois octagonos que formam um 8. O maior octagono é a nave da Igreja e o menor é o que contém o altar e sacristía. Um pequeno quadrado em planta é a projeção da torre do sino que forma também ao nivel do solo um abrigo formal de entrada, uma espécie de alpendre ou pequeno pátio coberto decorado. Se trata de um elemento arquitetônico de igrejas, chamdado "galilé".

Os octagonos se aproximam das formas elípticas, típicas do período barraco na arquitetura. Estes espaços curvos e elípticos, foram usados pela primeira vez no Rio de Janeiro na Igreja do outeiro da Glória.

Igreja do Outeiro da GlóriaIgreja da Glória | Vista do exterior da sacristia

Vista exterior dos fundos, vendo em primeiro plano a porta da sacristia.

Na foto acima à direita, a igreja é vista da parte posterior, onde o polígno da sacristia é visto em primeiro plano. A porta que também aparece em primeiro plano é a porta da sacristia. Existe outra idêntica na outra face espelhada do octógono.

Observe que, existe um erro grosseiro na pintura da igreja. Acima do poligono da sacristia, a parte do poligono da nave que se projeta acima, está totalmente caiada em branco. Na verdade, a parte em pedra talhada que emoldura a parte superior daquela face, não deveria ter sido caiada. Um erro grosseiro e descuido de quem fez a pintura da igreja. Na verdade uma verdadeira "heresia" em termos de abordagem e lida com o patrimônio artístico, histórico e cultural.

Interior da Igreja do Outeiro da Glória no Rio de JaneiroVista do orgão e parte posterior da Igreja do outeiro da Glória

Interior da Igreja do Outeiro da Glória no Rio de Janeiro. Acima do arco de pedra sobre o altar, está o brasão da familia imperial.Na foto acima, do lado direito, é vista a parte posterior da nave, tendo ao fundo a porta central de entrada. Acima o orgão.

As molduras de madeira sobre os arcos em pedra talhada, que aparecem também na foto acima, do lado direito, são elementos de adorno, arte em madeira talhada. A existência dos mesmos seria desnecessária ou redundante para os mais puristas, pois o trabalho de pedra talhada é primoroso e compõe bem com a conjunto tanto interior como exterior da igreja. Entretanto são obras primorosas, à muito incorporadas ao cenário interior da igreja.

Teto e abóbadas da Igreja do Outeiro da GlóriaInterior da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

O teto é abobadado com nervuras em cantarira, e as paredes possuem também colunas em cantaria. Nesta foto mostrada acima, do lado esquerdo, aparecem o teto e suas abóbodas, e pode-se ver claramente a metade do octágono formado pelas paredes.

A parte escura da foto, que aparece acima é a talha ou trabalho em madeira da sacada que fica à frente do orgão. A igreja tem pequenas proporções e tem seu interior bem iluminado por luz natural durante o dia.

Na foto acima do lado direito, vemos a Igreja fotografada do mesmo local da foto descrita anteriormente, porém com a câmera voltada pra o altar.

Sobre o Outeiro | Sítio Histórico e Origens

A palavra "outeiro" não é muito usual na lingua falada correntemente. Significa colina, morro ou pequeno morro.

Foi nesta colina, antes da existência da Igreja, que Estácio de Sá, fundador da Cidade do Rio de Janeiro, durante uma batalha na luta pela terra contra os então invasores franceses que haviam se estabelecido no Rio, foi ferido por uma flecha envenenada no rosto, vindo a morrer pouco tempo depois em decorrência deste ferimento. Se tratava de uma flecha dos indíos Tamoios, que à epoca se aliaram aos franceses.

Naquele morro os franceses tinham uma base, que Mem de Sá posteriormente chamou de "Fortaleza de Biroaçumirim" com artilharia e muitos homens. A batalha travada naquele local, no dia 20 de janeiro de 1567, comandada por Estácio de Sá, foi de vital importância para a consquista do territorio.

Por volta de 1699, já existia uma pequena ermida no outeiro, quando este era parte de uma chácara chamada "Chácara do Oriente". O local, neste ano de 1699 foi doado então pelo proprietário para a construção de uma Igreja sólida. A primeira era construída em madeira e barro.

Arquitetura e Construção da Igreja

A Igreja do Outeiro da Glória, é uma das primeiras igrejas brasileiras do período colonial construídas com planta poligonal e também em estilo barroco. Alias, espaços curvos e elípticos são uma das carcteristicas do estilo Barroco.

A igreja tem paredes caiadas, provavelente de alvenaria e assentada com concreto de cal e óleo de baleia, e revestidas com reboco. As junções são emolduradas por pedras talhadas de granito, configurando um belo trabalho de cantaria.

Embora existam controversias, a autoria do templo em sua forma conhecida atualmente. Acredita-se que a Igreja foi construída na metade do século 18, tendo as obras sido iniciadas por volta do ano de 1714 e finalizadas no ano de 1739.

A autoria do projeto é atribuída ao Engenheiro e Arquiteto Militar, Tenente-Coronel José Cardoso de Ramalho.

Interiores e Talhas

Os altares-mor e altares laterais da nave, assim como as tribunas e o coro, possuem um estilo que mistura Rococó (final do Barroco e mais rebuscado) com início do Neoclássico, podendo ser considerado uma representação de transição. São obras ornamentais em madeira talhada, ou trabalhos em talha.

Painéis de Azulejos

A Igreja é toda decorada com painéis de azulejos brancos e azuis, até pouco mais da meia altura das portas de entrada. Estes paineis de azulejos são do século 18, feitos entre 1735 e 1740, e acredita-se que sua autoria é de Mestre Valentim de Almeida.
A importância histórica e artística deste conjunto de painéis é das mais importantes dentro da história da arte e da arquitetura de interiores do Brasil.