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Lendas, Fatos e Mitos da Fortaleza de Santa Cruz

Mitos, fatos e lendas da Fortaleza de Santa Cruz

A Fortaleza de Santa Cruz da Barra, situada do lado Niteroi, na entrada da Baía de Guanabara tem uma história que vem do século 16. Mas além ter sido uma secular guardiã da Cidade do Rio de Janeiro, também tem sua história recheada de mitos e lendas. Fantasmas de prisioneiros que lá perderam suas vidas, e que assombram o local arrastando correntes noite adentro estão entre as muitas outras histórias de arrepiar os cabelos e levar os mais incrédulos e céticos do homens a sentirem calafrios.

Histórias e Lendas

A fortaleza é também cercada de estórias e lendas. As ricas histórias acerca de personagens famosos e fugas são reais. Quanto às lendas, muitas destas podem ter vindo da imaginação fertil e ou de coincidências. Mas uma coisa é certa. Existiram fatos e acontecimentos reais que inspiraram as lendas. Então acredite se quizer.

Prisões, Masmorras e Fantasmas

O local possui uma masmorra e algumas celas de prisão com grades, onde nos tempos colonias e tempo dos Vice-Reis, corsários e piratas, assim como inimigos da coroa eram presos. Muitos destes que foram aprisionados, de lá não sairam com vida. No caso de corsários e piratas, se saissem vivos da masmorra, após um longo período de isolamente trancafiados, acabavam executados. A masmorra era uma cela escura escavada na pedra, e trancada por uma porta de ferro.

Conta a lenda para os superticiosos que, à noite perto da masmorra e das celas de prisão, podem ser ouvidos gemidos e gritos dos fantasmas dos que alí pereceram.

E para quem se interessa pelo que alguns chamam de estórias de assombração, e que outros chamam de fenômenos do sobrenatural, pode-se ver neste site sobre a mais incrível das estórias, a que versa sobre o fantasma da Fortaleza de Santa Cruz e alma penada do corsário francês que à dois séculos tenta se libertar da masmorra da fortaleza.

Grades das celas das prisões da Fortaleza de Santa CruzMasmorra da Fortaleza de Santa CruzPátio e caixa d´agua em frente às prisões - Fortaleza de Santa Cruz

Na foto acima, do lado esquerdo, grades das pequenas celas das prisões da Fortaleza de Santa Cruz que se voltam para um pátio interno. A celas não possuem janelas, sendo ventiladas e iluminadas somente pelas grades ou portas frontais. Algumas das celas não tinham altura suficiente para que os prisioneiros ficassem de pé.

Ao centro, vemos a foto da masmorra da Fortaleza, uma prisão fechada por uma porta de ferro cujo, sem janelas, onde no interior, parecia existir apenas um respiradouro. A quando a porta é fechada, o cômodo fica totalmente escuro. Por fim, na foto do lado esquerdo, vemos o prédio da cisterna, para guardar água para a fortaleza, que fica de frente para o pátio das cadeias. Muitos prisioneiros eram enforcados neste pátio e depois jogados diretos no mar.

Um Caso Trágico de Amor

Um caso real que marcou a história da fortaleza, foi o da filha de um Capitão que se apaixou por um praça, num tempo que que isto não era permitido. Apaixonada, e sem o consentimento do pai, e sem esperança de poder juntar-se ao seu amado, ela se jogou de um pequeno penhasco do local onde fica a fortaleza. Este fato ocorreu nos primeiros anos do século 20.

A Capela de Santa Bárbara com suas Lendas e Estórias

Santa Bárbara - Capela da Fortaleza de Santa CruzNas dependências da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, existe uma das mais antigas capelas do Rio, que foi construída no início do século 17. Foi iniciada durante o governo de Martim Correia de Sá e terminada em 1612.

Por volta do ano de 1912, início do século 20, a capela foi reformada.

Perto do altar existe uma janela para o mar, e reza outra lenda que, durante a missa o padre podia ficar também de viga e de olho no mar, enquanto os oficiais e soldados assistiam e se concentravam na missa. Verdadeiro ou falso, da posição do altar pode-se realmente ver o mar por uma espécie de seteira.

Segundo um guia do Exercíto que guiou e orientou a visita, ele disse que a filha do Capitão que se jogou do penhasco, foi emparedada em uma das paredes da capela, um tipo diferente de sepultura usada em algumas igrejas. A parede ou local não fica voltado para a nave da capela, mas para uma depência coberta lateral do corpo principal da capela, e este local é mostrado durante a visitação.

Outra lenda da capela é acerca da imagem de Santa Bárbara, entalhada ou esculpida em madeira. Reza esta lenda, segundo o guia da visita, que em algumas ocasiões tentaram transferir a imagem da Santa para outro local, em tempos passados. Mas sempre que se incorria em tal tentativa, o mar ficava raivoso e em péssimas condições de navegação. Antigamente, o único acesso ao local da Fortaleza era feito pelo mar.

Prisão de Grandes Personalidades e Fugas Históricas

O local também foi usado como prisão militar e política nos tempos coloniais e do Império. Mas no caso de prisioneiros de destaque, estes não eram colocados nas celas ou masmorra como piratas e corsários. Geralmente lhes era oferecido algum comodo das dependências e estes ficavam sob guarda. Foi o caso de José Bonifácio, o Patriarca da Independência que alí ficou preso por um curto período de tempo quando rompeu com D. Pedro I, antes de partir para o exílio.

Grandes nomes da história estiveram lá detidos, como comandantes de alta patente e comandantes de revoluções, entre outros pode-se citar Bento Gonçalves e também líderes da Revolução Farroupilhas que escaparam por volta de 1837.

Durante a República, outras grandes personalidades também estiveram lá detidas por divergências políticas.

O então Capitão Juarez Távora e dois companheiros que estavam lá detidos escaparam com um corda em 1930. Ele tinha permissão para pescar, e posicionava-se sempre em uma determinda abertura de tiro da mulhara. Quando surgiu a oportunidade ele fugiu. Ele havia sido preso por sua participação no movimento tenentista de 1922 e posteriormente se integrou à uma das três colunas tenentistas e depois participou da revolução de 30 que levou Getúlio Vargas ao poder, tendo participado de seu ministério e teve muita participação na vida política brasileira à sua época.


Referencias e Fontes:

  • Relato de visita e passeio na Fortaleza de Santa Cruz e consulta à livros sobre história do Rio de Janeiro.
  • Fotos tiradas no local pelo autor desta página.