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História do Parque Lage

O Parque Lage com suas construções foi tombado pelo patrimônio histórico

A história do local do Parque Lage vem do século 16, quando foi engenho de cana de açucar, no século 19 chacará de nobre inglês, e no início do século 20 residência de um milionario casado com uma cantora de ópera, onde o mesmo ergueu um palacete. Na década de 1960 quase virou condomínio e nos anos de 1980 até sediou shows de rock no pátio central do palacete.

História das Ocupações do Local e Suas Transformações

As terras do local onde situa-se o Parque Lage, passaram por mãos de alguns ricos e importantes proprietários, tendo diferentes usos ao longo dos anos.

Engenho de Açucar do Governador na Segundaª Metade do Século 16

O local onde hoje é o Parque Lage, já foi Engenho Del Rey, um antigo engenho de açúcar durante os tempos coloniais pertencente à Antonio Salema, então Governador do Rio de Janeiro no século 16.

Nesta remota época, as terras do engenho abrangiam mais áreas, e se estendiam até as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, que antigamente era chamada de Sacopenapã, uma palavra Tupi-Guarani que se referia à raizes chatas. A verdade é que, a Loga Rodrigo de Freitas, como as antigas lagoas existentes pela cidade do Rio de Janeiro, eram cercadas de manguezais, e talvez esta palavra tenha à ver com esta vegetação.

Na Segunda Metade do Século 17 Muda de Mãos

Após o ano de 1660, na segunda metade do século XVII, o engenho foi comprado pela família Rodrigo de Freitas e Mello, advindo daí o nome atual da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Chácara de Nobre Inglês com Jardins Românticos em Meados do Século 19

Na primeira metade do século XIX, um nobre inglês comprou parte das terras e contratou um paisagista inglês, John Tyndale, para conceber e projetar um jardim em estilo romântico, muito em voga à época, como eram usados nos jardins de propriedades europeias. O jardim foi projetado em 1840.

Propriedade é Comprada por António Martins Lage

Decorridos alguns anos, em 1859 o Sr. Antonio Martins Lage compra as terras do nobre inglês. Em 1900 seus herdeiros passam a ser proprietários das terras.

Em 1913 é Comprada por Dr. César de Sá Rabello

Entretanto, no ano de1913, os herdeiros de Antônio Martins Lage vendem chácara foi vendida ao Dr. César de Sá Rabello, mantendo a mesma como sua propriedade até 1920.

Construção do Palacete por Henrique Lage na década de 1920

Em 1920, o rico empresário Henrique Lage, neto de Antonio Martins Lage, consegue comprar novamente a antiga propriedade de sua família.

Henrique Lage era um empresário muito rico e amante das artes, tendo se casado com uma cantora lírica italiana, chamada Gabriela Beanzoni. No local da chácara, em 1927 decidiu erguer um palacete com inspiração romana, seguindo o gosto da artista e cantora de ópera. Existem divergência entre as datas de início da construção. Enquanto uma fonte consultada afirma ser o projeto de 1920, outra afirma que o projeto é de 1927.

A imponente construção que marca o local, se encontra como foi construída por Henrique Lage, sendo hoje mais conhecida como Palacete do Parque Lage. Em outra página desta sequência sobre o parque, voce pode ver fotos e mais detalhes sobre a construção e estilo arquitetônico.

Na mesma época da construção, o projeto paisagistico da metade do século 19 foi modificado em parte, principalmente em frente ao palacete e quanto às suas vias de entrada e saída.

A residência do casal se tornou um dos locais de maior efervecência cultural e social do Rio de Janeiro logo após a sua construção, onde no local aconteciam saraus e também festas suntuosas organizadas pela Sra. Beanzoni, tendo recebido até celebridades internacionais, como o ator Tyrone Power nos anos de 1950

A escritora e jornalista Marina Colosanti e seu irmão, o ator Arduino Colasanti, que eram sobrinhos da Gabriela Beanzoni, moraram na mansão entre 1948 até a adolescência. A escritora fez menção à este fato em uma entrevista no programa de Jô Soares.

No final da década de 1950, o proprietário Henrique Lage se encontra endividado com o Banco do Brasil, e usou a propriedade para saldar parte das dívidas. Assim o local acabou passando para o patrimônio do estado.

Tombamento e Preservação e 1957

O Parque Lage foi tombado em 1957 pelo Instituto do Patrimônio Historico e Artístico Nacional, o IPHAN, em função dos seguintes fatos. No local existem vestígios e antigas ruínas do antigo engenho de açucar que existiu no local.

O palacete construído no século 20 foi o retrato de uma época e também é um belo exemplar da arquitetura eclética.

Quase Virou Condomínio na Metade dos Anos de 1960

Na década de 1960, o empresário Roberto Marinho havia adquirido áreas pertencentes ao Parque Lage. Segundo algumas versões, as primeiras instalações da Rede Globo que ele estava fundando poderia ter sido feitas no local, mas se tratava de área não permitida para edificações. Porteriormente, ainda segundo relatos encontrados na imprenssa, Roberto Marinho tentou empreender a construção de um condomínio de edifícios, que teria sido vetada definitivamente pelo Governador Carlos Lacerda, com que havia tido desentendimentos.

Show de Rock nos Anos de 1980

Na métade da décade de 1980, muitos shows de músicos brasileiros, voltados pra o gênero rock nacional, como uma banda de heavy metal de Robertinho do Recife e Plebe Rude que tinha uma contação punk, além de muitas outras bandas que estiveram no auge naquela época se apresentaram no pátio interno do palacete. Aqui foram citadas apenas as duas bandas acima, pois quem escreve este artigo assistiu a apresentações das mesmas naquela local.

Alguns eventos envolviam também uma espécie de "sarau" com declamação de poesias e outras manifestações artisticas.

Nesta época, para tais apresentações, um palco era armado na extremidade oposta à entrada do pátio interno, e sobre a piscina era colocado um tablado, onde ficava o público.

Escola de Artes Visuais e Bar-Restaurante

No local vem funcionando já à alguns anos a EAV, Escola de Artes Visuais, mantida pela prefeitura do Rio de Janeiro, que lá oferece cursos livres. O funcionamento da escola no local, é compartilhado com os visitantes do parque, nada impedindo sua circulação ou visitação.

Em visita ao local em 2010, no pátio interno havia também um serviço de bar e restaurante ao vistantes.