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Paço
Imperial de São Cristovão
O
local chamado Quinta da Boa Vista no atual bairro de São
Cristovão, já foi parte de fazenda dos Jesuitas, já foi chácara de um rico comerciante que lá
possuía um belo casarão. Este casarão passou a pertencer a
Dom João VI quando este veio para o Brasil 1808.
A
partir de então, este casarão tornou-se a morada dos antigos Reis do Brasil, passando por
muitas e sucessivas reformas e acréscimos, sendo transformado
finalmente em um
Palácio Neoclássico.
Paço
era o termo usado para denominar um palácio nos
tempos coloniais e da monarquia.
Com
a proclamação da República, o antigo Palácio
Imperial da Quinta da Boa Vista passou a abrigar o Museu
Nacional de História Natural.
Nesta pagina discorre-se sobre a história e as
transformações ocorridas ao longo dos anos naquela área com
textos e com um levantamento de pinturas e fotos. As
pinturas são do tempo de D.João VI e do primeiro e
reinado. As fotos são do tempo do segundo reinado e
tempo atual.
Das
Fazendas dos Jesuítas ás Chácaras Particulares
A área onde se localiza a chamada Quinta da Boa Vista, era parte de fazenda de Jesuítas. Mas no ano de 1759 foi decretada a expulsão dos padres Jesuítas de Portugal e de todas as suas colonias. Estes possuim fazendas chamadas São Cristovão, Engenho Velho e Engenho Novo, e todas estas propriedas foram subdividas em grandes chácaras e adquiridas por particulares.
Do Casarão de
Quinta à Paço Real
No
ínicio do século 19, a área chamada Quinta da Boa Vista, um
tanto distante do então centro da cidade, pertencia a um rico
comerciante Português, chamado Elias Antônio Lopes,
que adquiriu um dos lotes, e lá ergueu um casarão em 1803,
onde era chamado de "Chácara do Elias". Este
casarão
dava uma bela vista para a Baia de Guanabara, e daí vem o nome Quinta da
Boa Vista. Apesar de não muito usual no Brasil, o termo Quinta
em Portugal significa propriedade rural.
Com
a mudança de Dom João VI ao Brasil, em 1808, este instalou-se
no Paço Real que depois seria chamado Paço Imperial na Praça XV do Rio
de Janeiro, que era até então a morado do Vice-Rei. Talvez por
motivos de recebimento de favores políticos ou por falta de
opção, o comerciante então resolveu doar seu casarão à D.
João VI que aceitou a propriedade. Devido à falta de moradias
na cidade, diz-se que muitas casas eram confiscadas para uso da
corte.

Acima
pintura do Pintor Austriaco Thomas Ender que esteve no Brasil
entre 1817-1818. Em sua representação do então Paço Real da
Quinta da Boa Vista, vê-se ao fundo casarão que era
propriedade de um rico comerciante Português, originalmente
construido em 1803, e dado de presente a D. João VI em 1808. Nesta pintura a casa já havia passado por reformas iniciais e o
portico monumental que não existia originalmente também já
havia sido instalado em 1816. Abaixo mais pinturas
de época, refletindo as reformas, modificações e acréscimos arquitetônicos e
paisagistiscos ao longo dos anos.

Acima
pintura de Jean Baptiste Debret que consta de uma publicação
chamada Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Nesta
resprentação do artista, aparece o portal/portico monumental e um
torreão anexado do lado direito. Por volta de 1820 este
torreão já havia sido construído, como comprova a gravura de
Maria Graham, (mostrada abaixo) feita em torno de 1820. Observa que
a entrada usada na prática
não era a passagem do portico monumental, e ficava num portão
mais à esquerda.

A gravura de época acima
da pintora, escritora e aristocrata Inglesa Maria Graham, que
esteve por três vezes no Brasil, foi feita acerca de 1820.
Nesta pintura também aparece o portico monumental construído
em 1816 e o torrão do lado direito.
Do
Paço Real ao Paço Imperial
O Palácio
Real ou Paço Real foi residência da
família real de 1808 a 1821. Após 1822, com a proclamação da
Independência do Brasil por D.Pedro I, passou a chamar Paço
Imperial, tendo side residência da família imperial de 1822 a 1889,
quando foi proclamada a República.
Em
1816 o casarão já reformado, recebeu um portão/pórtico, que
foi dado como presente de casamento a D. Pedro I e à futura imperatriz, Maria Leopoldina de Áustria,
por um Lord Inglês, o Duque de Northuberland. Este portal
passou a ser a entrada do então chamado Paço Imperial na Quinta da Boa
Vista. Se trata de uma réplica do pórtico existente na
residência do Duque na Inglaterra.
Parece que alguns
estudiosos e historiadores dão uma importância enorme á este
pórtico, e o mesmo foi tombado pelo patrimônio histórico.
Estranho o fato de jogar toda importância no portico e tirar o
enfoque do casarão original, que obviamente não pode ser
tombado pelas inúmeras reformas e interferências, mas
certamente como memória arquitetônica ou cultural da vida no
Brasil colonial seria um tesouro bem mais interessante de ter a
memória preservada ou estudada.
O
casarão era tido como a melhor casa de "Quinta"
àquela época, possuindo bela
vista mas não tinha a imponência ou estilo
desejado pelos Reis.
A
transformação da construção original em um palácio
neoclássico expressa a intenção de magnitude, utilizando-se de
uma arquitetura cuja fim em si mesmo seria expressar poder,
racionalidade e predomínio sobre a natureza.
A
harmônia da antiga construção começou a se perder com
instalação do portal, em desarmonia com o estilo da casa já
que era cópia de um portico de um palacete na Inglaterra (Sion
House) pertencente ao então Duke of Northumberland que
presenteou o portal. Nesta época a casa já estava
sendo reformada para receber D. Pedro I. Através das sucessivas
gravúras de época, pode-se ver que
existia planos de transformar sucessivamente a edificação num
prédio de feições neoclássicas.
 
Acima
o portico lonumental que hoje se encontra na entrada do Jardim Zoológico.

Acima
o Paço Imperial da Quinta da Boa Vista em São Cristovão,
mostrada numa litografia aquarelada feita entre 1835 1840
pelo aristocrata alemão, Karl Robert Barton Von Planitz, que
veio morou no Brasil. Nesta época uma outra torre à esquerda
já havia sido acrescentada.

Acima
montagem com fotos de Marc Ferrez tiradas em 1870, quando ao que
parece as obras dos jardins de Gaziou ainda não estavam
prontas.
Entretanto, nesta época parece que
o paisagista Gaziou
ou talvez algum arquiteto ou paisagista antecessor teve a feliz
ideia de cobrir com terra ou vegetação os muros de arrimo do
aterro do jardim de frente ao palácio. Na foto de 1872 já
aparece o lago projetado por Gaziou. Nesta época um acrescimo
central na fachada também aparece em ambas as fotos e
escadarias frontais que aparecem na litografia mais acima não
aparece mais. A escadaria já
está deveria estar dentro deste novo acréscimo, como se pode
ver nos dias de hoje ao visitar o palácio.
Ao lado e abaixo,
foto de Maio de 2009, do Antigo Paço Imperial e atual Museu
Nacional de História Natural da UFRJ.
Da
República Velha aos Dias de Hoje
Após a proclamação da República, o palácio sediou os
trabalhos da Assembléia Nacional que resultou na Constituição
Brasileira de 1891. No ano seguinte, 1892 o Museu Nacional do
Brasil mudou-se de sua antiga sede no Campo de Santana para o
Palácio da Quinta. Hoje é chamado Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) ou Museu Nacional de História Natural ou também conhecido como
Museu da Quinta da Boa Vista. Na
foto ao lado o antigo Paço Imperial, com a fachada vista em Maio de 2009.
Cronologia Resumida das Interferências
e Acréscimos
Após
o casarão ter sido presenteado a D.João VI em 1808, este passou por melhoramentos e adaptções.
Entre 1816 e 1821 foram feitas alterações importantes para receber o Príncipe D.Pedro I e Maria Leopoldina da Áustria que se casaram em passaram a residir no
local em 1817.
O Arquiteto Inglês John Johnston, além de reformar o paço instalou um portal monumental à sua frente, portal este dado de presente pelo Duque de Northumbrland. Este portal foi inspirado num pórtico desenhado por Robert Adams para um palacete conhecido como "Sion House"em Londres, e que era residência deste nobre. Este portal atualmente está colocado na entrada do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, que também fica na Quinta da Boa Vista.
Após a Independência do Brasil, D.Pedro I passou a chamar o local de Paço Imperial
(anteriormente chamado de Paço Real) e contratou o Arquiteto Português Manuel da Costa, entre 1822 e 1826. Em 1826 este foi substituído pelo Francês Pedro José Pezerát que conduziu as obras até 1831. Atribui-se à este Arquiteto a autoria do projeto de reforma e acréscimo em estilo Neoclássico.
Até então, já havia sido construido um torreão do lado esquerdo, e mais um torreão foi erguido do lado direito dando simetria aos volumes e a construção de um terceiro pavimento foi iniciada sobre os dois pavimentos já existentes.
A partir de 1847 o Arquiteto Brasileiro Manuel Araújo deu
continuidade às obras harmonizando as fachadas. Em seguido o Arquiteto Alemão Thodore Marx deu prosseguimento entre 1857 à 1863.
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