Largo do Boticário no Rio de Janeiro | Casario neocolonial

Largo do Boticário

O Largo do Boticário é uma relíquia arquitetônica e cultural, cercado de matas, com um belo casario que alude ao século 19. Além de tudo ainda tem o privilégio de ter o Rio Carioca passando pelo local. É um dos locais mais pictorescos do Rio de Janeiro.

Local Bucólico e Pitoresco

O Largo do Boticário, é um recanto bucólico do Rio de Janeiro, situado no Cosme Velho, rodeado pela floresta e através do qual passa o Rio Carioca, por baixo de uma pequena ponte. Alguns chamam de Rio das Caboclas aquele trecho do rio. É um raro local urbanizado em que ainda se pode ver as águas do Rio Carioca com suas corredeiras descerem a céu aberto.
O casario predominante e mais marcante do local tem estilo "Neocolonial", como resultado de reformas feitas no ínício do século 20 e outras ocorridas na por volta de 1934. Desde esta época, o local guarda então a mesma aparência.

Localização e Atrativos

O Largo do Boticário fica poucos metros acima da Estação de Trem do Corcovado, portanto pode ser visitado até no mesmo dia por quem pretende subir ao Corcovado. Geralmente visitado por turistas e também estudantes e pessoas que se interessam pela arquitetura e história do local. Estudantes de artes assim como pintores, podem ser vistos vez outra no local, tomado como inspiração para desenhos à mão livre ou aquerela. Para quem gosta de desenhar ou pintar sentado à uma sombra, é um local bastante interessante.

Descrição do Largo do Boticário e Casario Adjascente

Esta é uma descrição do local, como visto em Feveiro de 2011. O acesso para o Largo se dá através de uma pequena ruela, chamada Travessa ou Beco do Boticário, na Rua Cosme Velho, um pouco acima da estação de trem do Corcovado. Esta pequena viela é cercada por casas antigas em sua esquina com a Rua Cosme Velho, e também possui casas com janelas e algumas com portas se abrem para a mesma. Nesta antiga ruela, existem duas casas, que segundo alguns são as construções mais antigas do local, tendo sido construídas na época da criação do Largo, que foi originalmente criado em 1831.

Beco do Botícário vista da Rua Cosme VelhoVista do Beco e Largo do Boticário

A foto acima, vista do lado direito, mostra o Beco do Boticário que dá acesso ao Largo. Ao fundo o Largo, e em primeiro plano as casas de esquina com a Rua Cosme Velho. A foto da direita, mostra esta mesma travessa de acesso ao Largo, caminhando em direção ao mesmo. Esta pequena rua, de também pequena extensão, encontra-se com o Largo do Boticário através de uma pequena ponte, que passa sobre o Rio Carioca, que naquele local alguns também chamam de Rio das Caboclas.

Largo do Boticário e suas casas

Após atravessar a pequena ponte, que possui guarnição ou muretas em forma bancos, bancos estes enfeitados com azulejos em estilo colonial, fica o Largo do Boticário propriamente dito. O casario é composto de 4 casas em estilo neocolonial que fazem frente para a pequena viela de acesso. Para quem já esteve no local em anos anteriores, irá notar que o as fachadas das casas precisam de alguns reparos relativos à uma melhor conservação.

A foto em tamanho maior, vista mais acima, mostra o Largo e foi tirada sobre a ponte. A ponte aparece em primeiro plano, com os bancos cobertos por um pouco de limo, certamente devido ao local ser bem arborizado, e também ao curso d´agua que alí corre, tornando o local húmido porém com temperatura amena e muito agradável.

Ao fundo, na foto aparecem as quatro principais casas que dominam a paisagem em termos de arquitetura, uma na extremidade esquerda, a seguir outra com fachada na cor verde, ao centro da foto a casa mais alta e com fachada mais chamativa, em cor amarelo escuro com esquadrias de madeira pintadas em azul. Do lado direito a ultima casa com fachada pra o largo, em cor rosa e um amplo arco de pedra na entrada, que também se destaca por sua beleza singela.

Temperatura aprazível é uma das características do local. Sendo o Largo bastante arborizado, as belas árvores sombream o as áreas do Largo, que por sua vez é cercado de densa vegetação.

Ao centro do Largo, existe uma fonte desativada, construída na metade do século 19. Do lado direito de quem entra, próxima à casa da esquerda de quem vê, existe um portão, que dá acesso à outra propriedade com casa erguida, mas com pouco vista para quem chega perto do portão. Adiante do lado esquerdo da ponte, vê-se as águas do pequeno rio, numa imagem bonita e pitoresca.

Algumas paredes de casas, que dão frente para o beco do boticário, se voltam para o lado do Rio. Do lado direito da ponte, existe uma pequena morada que fica do outro lado do rio, com acesso por uma pequena ponte de madeira. Esta pequena casa é bastante discreta, e embora seu estilo simples destoe do restante do casario, não chega a interferir na paisagem.

Casas estilo neocolonial do Largo do BoticárioVaranda e musharab no Largo do Boticário

A foto acima, do lado esquerdo, mostra duas casas, a casa mais alta e tambem uma outra das quatro casas, a que fica na extremidade do lado direito do Largo. Ainda do lado direito de quem entra no Largo, existe outro portão, com acesso para os jardins de outra propriedade, que não pode ser bem vista, já que somente o portão faz face para o Largo.

A foto da direita, mostra um interessante elemento arquitetônico, que foi utilizado na casa mais alta. Esta foto põe em destaque este elmento. Se trata de uma varanda guarnecida com balcão de pilastras e um musharab. O musharab é um elemento que permite que a rua seja vista com as janelas fechadas, e permite também a circulação de ar.

Este recurso arquitetônico era muito utilizado em paises árabes, para que as mulheres pudessem ver a rua sem serem vistas. A arquitetura feita em Portugal e Espanha sofreu influência dos Mouros, invasores árabes que invadiram a península ibérica na Idade Média. Assim, este recurso, passou a ser muito utilizado em Portugal e Espanha, mesmo depois da reconquista das terras.

No Brasil este recurso também foi utilizado. Existe afirmação que diz que os musharabs deixaram de ser utilizados após a vinda de D. João VI e a corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Alega-se que existiu uma proibição quanto ao uso dos musharabs, atribuindo ao fato o receio de D.João VI que os considerava perigosos, pelo fato facilitar a ocultação de algum assino que intencionasse assassina-lo. Até onde esta esta proibição é verdadeira ou não, ou se surtiu efeito ou não, eu não sei. Mas fica aqui anotado o fato.

História do Local e Suas Modificações

O Largo do Boticário leva este nome por causa de um antigo morador, o Sargento-Mor Joaquim José da Silva Souto, conhecido como Boticário por ser proprietário de uma Botica na antiga Rua Direita, hoje chamada de Rua Primeiro de Março, onde ele preparava xaropes, bebidas e líquidos medicinais, assim como unguentos, que eram "pomadas" feitas de óleos ou gorduras, aquecidos com ervas para aplicação também medicinal na pele. Botica era o equivalente às farmácias da época e Boticário era o equivalente aos farmaceuticos da época.
Este boticário, teve suas terras adquiridas em 1831, terras estas situadas no bairro que chamamos de Cosme Velho.

Suas primeiras contruções, feitas em estilo colonial no século 19, foram posteriormente substituídas por residências em estilo eclético, do final do mesmo século 19, que muitos chamam de estilo do Rio Antigo. Mas não são as casas de estilo eclético que lá possam ter existido que contribuem para distinguir o Largo do Boticário como um dos locais mais pitorescos do Rio de Janeiro.

Apesar do local existir como Largo desde o ano de 1879, a aparência do mesmo assim como o estilo do casario neocolonial é produto de várias interferências ou reformas feitas por antigos moradores, como Dr. Paulo Bittencour e espoa e outro morador o Sr. Rodolfo Gonçalves de Siqueira.

As reformas que dão ao casario do Largo a aparência atual, vem do fato de tem sido utilizados materiais antigos e originais, retirados das demolições ocorridas no Centro do Rio, provavelmente durante as obras de "modernização" da cidade e abertura da Avenida Central (atual Rio Branco) entre outras. Foram utilizados também pórticos em granito tirados do Morro da Viúva no Flamengo e também da Pedreira da Candelária.

O calçamento ou pavimentação do Largo em tempos mais remotos, até perto de 1920, era em "pé de moleque", um tipo de calçamento antigo feito com pedras mal talhadas, podendo ser tido como grandes cacos de pedras. Era um tipo de pavimentação muito encontrado ainda em muitas cidades até metade do século 20, embora já existisse a pavimentação com pedras talhadas que era bem melhor.

Durante a gestão do Prefeito Prado Junior, este mandou substituir o calçamento do Largo pelas atuais lajes de pedra, que lá se encontram até os dias de hoje.

Em torno do ano de 1934, o arquiteto Lúcio Costa foi incumbido da reforma de duas das quatro casas do Largo, quando então utilizou-se igualmente de materiais de demolição, mantendo as caracterísitca neocoloniais.

A partir desta época, o Largo do Boticário se manteve com suas caracteristicas neocoloniais, e é sem sombra de dúvida um dos conjuntos arquitetônicos mais pitorescos do Rio de Janeiro, não somente pela arquitetura, mas também pelas matas que o cercam assim como por ter uma corredeira a céu aberto, exatamente das águas de um rio, o Rio Carioca, que faz parte da história da Cidade do Rio de Janeiro.

Moradores que Fizeram a História do Local

Certamente o botícario que deu nome ao local, lá morou e foi proprietário das terras foi que originou toda esta história cheia de transformações, onde muitos outros contribuiram a criação do locall pitoresco e sua divulgação.

Segundo um painel fixado no local, com informações turísticas e históricas, consta que o colecionador Rudy Siqueira reconstruiu as casas nº 30 e 36 em "estilo neocolonial", ficando assim anotada sua contribuição para os atrativos do local.

Consta também que, a família Bittencourt, que era proprietária do Jornal Correio da Manhã, reformou as casas nº 20 e 22, transformando-as em uma grande mansão. Quem se incumbiu do projeto de reforma foi o arquiteto Lúcio Costa.

Alguns dizem que em uma das casas do Largo do Boticário morou Bárbara Eliodoro, uma crítica de arte e teatro bastane conhecida. Não confundir com a Barbara Eliodoro da Inconfidência Mineira, já que este episódio ocorreu antes da criação do Largo do Boticário.

Na travessa ou Beco do Boticário, na última casa do lado esquerdo de quem entra existe uma placa onde consta-se que lá viveu o pintor, educador, caricaturista Augusto Rodrigues, fundador da Escolinha de Arte do Brasil.