
Para quem se interessa pela literatura de Cordel, um dos mais interessantes meios de expressão da cultura nordestina, na Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro existe livraria e pontos de venda onde é encontra-se livretos sobre os mais variados temas.
A Literatura de Cordel é uma das mais originais vertentes de expressão da cultura nordestina. O nome "cordel" vem do antigo costume de colocar os livretos presos um à um cordel ou fio de barbante grosso, como forma de exposição para venda.
A literatura de cordel aborda todos os tipos de temas, como romance e estórias de amor, humor, religião, biografias contada através de textos e desenhos, religião e outros assuntos.
Mas algo que chama atenção nesta literatura, quando versa sobre erotismo ou contos eróticos, é o humor picante e direto, sem eufemismos.
Interessante que esta linguagem direta é bastante aceita e normal dentro da literatura de cordel, e livros que falam de assuntos sérios como religião ou biografias, são colocados ao lado de temas eróticos abordados com malícia direta e linguagem picante.
Abaixo, uma banca de venda de livros de literatura de cordel, onde o proprietário usa um estande móvel em forma de réplica de caminhão de madeira. O estande é não somente decorativo, mas as rodas do caminhão realmente funcionam para a locomoção do estande. Surpresas interessantes como estas são formas de manifestação da cultura popular nordestina encontradas na feira de São Cristóvão.


Literatura de cordel vendida em um estande que é também uma réplica artesanal de caminhão, na cor amarela. Este interessante estande móvel carrega muitos livretos, demonstrando a criatividade na na venda e divulgação da arte popular e provavelmente não acadêmica com relação à maioria dos autores deste gênero literário.
Na foto do lado direito, mostrada acima, são vistos livretos com os mais variados temas, desde personagens do nordeste como Antonio Conselheiro e Frei Damião, à histórias fantasiosas, passando também por abordagens sobre personagens históricos do Brasil e do Mundo.
Ao lado, foto de uma livraria de literatura de livros de cordel e sua vitrine, na Feira de São Cristóvão, com farto material sobre o tema.
Além de livretos com os mais variados tipos de assuntos, esta livraria também vendia, pelo menos até quando esta foto foi tirada, pequenos e interessantes objetos de artesanato do nordeste.
A livraria possui um variado estoque de livros de cordel, expostos nas divisórias de madeira e estantes. Mas o acervo da livraria vai mais além, e lá encontram-se também outros tipos de livros.
Estão também expostos alguns objetos de artesanato e alguns souvenirs ou lembranças. Destaca-se em primeiro plano uma camisa de malha vermelha, que aparenta ser uma foto de Chê Guevara com um chapeu de couro nordestino, provavelmente uma homenagem bem humorada ao famoso político e revolucionário.
Na foto abaixo, a vitrine de uma livraria, onde os livros estão expostos atrás de uma vitrine de vidro, mas dependurados num barbante ou "cordel" como reza a mais genuína tradição nordestina.

Acima, inúmeros livretos do gênero literatura de cordel dispostos em sua forma tradicional em uma livraria e loja de artesanato e pequenos objetos de arte nordestina. Observe que os livretos estão num mostruário suspensos, presos aos cordeis ou barbantes e fixados por prendedores de varal ou os popularmente chamados "periquitos".
Pode-se observar que, a chamada "Literatura de Cordel" tem não somente caracteristicas de estilo artístico e literário próprio, mas também está associada à um tipo de arte e grafia que é peculiar às ilustrações da maioria dos livretos.
No caso, pode-se notar estas similaridades com relação as traços do desenho e formas de representação.
A grafia e estilo, provavelmente são também influênciadas pelo modo de produção do mesmo, ou seja modo de impressão, que em tempos passados, certamente se utilizava de técnicas menos modernas. Isto fica evidente em alguns livretos, quando o traço e arte dos desenhos é simplificada e em alguns casos utilizando-se de poucas cores.
Mas a criatividade é sempre presente. E arte popular, sempre se manifesta de forma interessante e genuína, adquirindo caracteristicas próprias em função dos requisitos de produção aliados à origens e influências culturais.